Edição de áudio: Saiba tudo sobre essa arte

Você sabe tudo sobre edição de áudio? Leia esse artigo e entenda tudo sobre a arte de produzir e editar gravações de áudio.

Escrito por Adriano

Em 07/06/2020
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Quando você ouve a música da sua banda favorita, talvez não saiba o tamanho do trabalho que é necessário para alcançar o resultado que chega até você. Esse processo, que ocorre após a gravação de todas as partes da música, denomina-se edição de áudio.

Se você é músico e já teve a oportunidade de gravar um trabalho, sabe do que se trata a edição de áudio. Mas, será que você conhece todo o processo e quais os conhecimentos necessários para se editar uma gravação e deixá-la agradável aos ouvidos? Nesse artigo, falaremos tudo sobre a arte da edição de áudio e sobre o que é necessário para se trabalhar nessa área.

Mas, antes de falar sobre a edição de áudio, é necessário falar sobre o áudio em si. Ao contrário do que se possa pensar, áudio e som são coisas bastante diferentes, embora relacionadas. Para que o entendimento desse conteúdo seja facilitado, falaremos sobre o que é o áudio e como ele se relaciona com o som.

Áudio vs som: O que saber para não confundi-los

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Embora, muitas vezes, se confunda áudio e som, esses elementos são distintos e independentes. Produção de áudio é diferente de produção de som. O som é um elemento natural composto por vibrações e pressões no ar, que geram ondas. Essas ondas, em contato com nossos ouvidos, são convertidas no que identificamos como som.

O som pode ser gerado por impactos diversos, como por exemplo, as palmas, pela vibração das cordas de uns instrumento musical, ou até mesmo pelo simples movimento do ar. Ele está presente inclusive dentro de nós. Afinal, somos capazes de emitir sons até de boca fechada, as batidas do coração são um bom exemplo disso.

O áudio, por sua vez é composto por impulsos, inicialmente elétricos, mas que podem ser convertidos em dados. É o que chamamos de áudio analógico e áudio digital. Pode-se dizer que o áudio é o mapeamento do som, a escrita da frequência sonora captada por um microfone ou desenhada digitalmente, por meio de equipamentos eletrônicos.

A forma mais comum de se produzir áudio, atualmente, é por meio da gravação. No entanto, a tecnologia permite várias formas de produção de áudio digital. Um exemplo disso é a música eletrônica, que pode ser produzida com apenas um computador, sem instrumentos acústicos. Logo, não é necessário gravar o áudio a partir de uma fonte sonora.

Sendo assim, áudio e som são totalmente relacionados, quando se fala em música, mas são elementos independentes que podem ser produzidos de várias maneiras diferentes.

Áudio analógico vs áudio digital – A tecnologia como divisor de águas na produção de áudio

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Antes da edição de áudio, é necessário falar sobre a produção de áudio. O que se ouve em uma música, na verdade não é apenas uma faixa de áudio gravada, mas várias faixas misturadas e masterizadas. Para se obter esse resultado, o áudio passa por diversas etapas, desde a captação até a finalização.

Se você tem mais de 30 anos, sabe que, até poucos anos atrás, era extremamente difícil e caro gravar um CD de música de forma profissional. Isso tem uma razão muito simples, ter um studio de gravação analógico era extremamente caro e difícil. A grande quantidade de equipamentos e o espaço necessário para se obter a qualidade precisa tornava inviável o trabalho de música independente.

No entanto, nos últimos anos, a música independente tomou o mundo por completo. Isso porque muitos músicos passaram a produzir seus trabalhos dentro de casa. Isso só se tornou possível por causa da evolução tecnológica, que permite fazer gravação e edição de áudio com pouquíssimos recursos.

Porém, essa gigantesca mudança na forma da produção de áudio criou a necessidade de os músicos desenvolverem uma nova habilidade, que antes era dominada apenas por engenheiros de áudio, a edição. Gravar de forma digital pode ser bem mais fácil, mas chegar a um bom resultado exige muito trabalho e dedicação, assim como nos meios analógicos.

Produzir áudio em um studio analógico

Nos studios de gravação, antes da era digital, para se chegar a um bom resultado, era necessário que o sinal passasse por uma série de aparelhos até chegar ao gravador. Pode-se dizer, então, que a edição de áudio era feita antes da gravação, já que a equalização, a compressão e demais ajustes eram feitos antes de gravar.

Sendo assim, os studios precisavam de grandes espaços para instalar toda a aparelhagem necessária para a produção de áudio. Isso exigia grandes salas com racks gigantescos cheios de equipamentos dos mais diversos tipos, para que se pudesse chegar ao tipo de sonoridade desejado.

Outro ponto importante, nos studios analógicos, é a necessidade de salas especiais para gravação, com tamanhos e tratamentos diferentes para cada tipo de gravação. Nesse caso, era necessário produzir, primeiramente, uma boa sonoridade antes da captação. Podemos dizer que, aqui, a relação do som natural com o sinal de áudio é bem mais próxima.

Resumindo, para se produzir áudio em um studio analógico, é necessário uma grande quantidade de recursos e muito conhecimento técnico. Por isso, era um privilégio de poucos ter uma obra musical gravada de forma profissional.

A revolução da edição de áudio digital

Com a revolução causada pelos avanços tecnológicos das últimas décadas, todo trabalho de edição de áudio, feito antes de gravar, passou a ser realizado na pós produção. Além disso, todos os equipamentos que ocupavam uma sala inteira passaram a caber dentro do computador, em forma de plugins.

Claro que ainda é necessário ter um lugar com as características mínimas em relação à acústica, pois o som que vai ser captado pelos microfones ainda é o som natural. No entanto, esses espaços podem ser muito menores, como a sala de sua casa, já que até a reverberação pode ser acrescentada de forma digital.

Agora é só gravar e fazer a mágica, certo? Errado. A edição de áudio ainda exige bastante conhecimento e prática para se alcançar um bom resultado final. É necessário conhecer os plugins e desenvolver conhecimento sobre as propriedades do áudio, pois mesmo o áudio digital obedece as regras do áudio analógico.

Gravação e edição de áudio em home studio – Dos racks para o computador

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Até pouco tempo atrás era utópico pensar em gravar uma obra completa na sala de casa. Editar e finalizar então, nem se fala. Mas, o sonho de muitos músicos se tornou realidade e um home studio se tornou suficiente para realizar edição de áudio com qualidade profissional.

Com apenas um computador e uma pequena interface de áudio é possível produzir áudio de qualidade e levar música ao mundo. Acrescente um microfone e seu instrumento favorito e você já pode começar a gravar suas músicas de maneira simples e fácil, sem precisar de um prédio enorme cheio de equipamentos caros. Apenas seu sonho e a coragem de realizá-lo.

Mas, claro que não é a coisa mais fácil do mundo. Para se produzir com qualidade é necessário ter alguns conhecimentos e desenvolver técnicas de edição de áudio, mixagem e masterização. O fato é que, com todos os equipamentos disponíveis em forma de plugins, o ingrediente final para a receita é a dedicação. Com algumas horas de estudo e prática diárias, é possível se tornar um bom produtor e dominar a edição de áudio de forma gradual e natural.

Mas o que de fato é a edição de áudio?

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Agora que você já sabe como criar áudio, captar e gravar, seguimos para a parte da edição em si. Uma vez gravada, a faixa de áudio deve passar por algumas etapas até ser finalizada. Isso depende do projeto a ser gravado, claro. Uma banda vai exigir muito mais do que um projeto de voz e violão, Mas ambos passarão pelas mesmas etapas de finalização.

Antes de tudo, para se fazer uma boa edição de áudio, é necessário escolher um editor que seja familiar ao produtor. Um software sobre o qual ele tenha domínio e goste de trabalhar. Existem muitas opções no mercado, como o Studio One, Ableton Live, Logic Pro e o mais novo queridinho dos produtores do mundo inteiro, o Reaper.

Esses programas, chamados de DAW (Digital Audio Workstation), funcionam como um gravador de áudio dentro do computador. É através deles que o produtor fará a gravação do áudio, a partir de uma fonte sonora como um microfone ou de um instrumento ligado direto na interface. Também é possível fazer uso de instrumentos virtuais e produzir áudio através do sequenciamento de MIDI.

Para saber o que é MIDI e entender para que serve essa ferramenta tão útil , criamos um artigo completo sobre o tema. Nele você poderá conhecer a história da MIDI e ver como essa tecnologia evoluiu desde sua criação e se tornou um grande recurso para produtores musicais.

Por fim, com a DAW escolhida e o áudio finalmente gravado, vamos para as etapas da edição de áudio.

1. Início da edição – correções de afinação e tempo, quantização e sincronização das faixas

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Quando se grava várias tracks de áudio de uma música, é inevitável qua alguns deslizes ocorram. Se você não for um robô, tocando de forma matematicamente programada, pequenas oscilações de tempo na execução do instrumento ou deslizes de afinação são naturais durante o processo de gravação.

Sendo assim, a edição de áudio deve começar com essas correções. Para isso, existem ferramentas específicas que facilitam bastante o processo. No caso da afinação, existem plugins como o Melodyne e o Auto Tune, que corrigem pequenos desvios de afinação mantendo o áudio natural, ou seja, existem correções, mas ainda é você cantando.

Para as correções de tempo, a própria DAW oferece atalhos que permitem ajustar as diferenças de metrônomo de forma automática. Mas, também é possível realizar esse trabalho de forma manual, apenas arrastando a wave para o local correto. Quantização e sincronização também podem ser realizadas da mesma forma.

Com isso, a primeira parte da edição de áudio está realizada e já é possível perceber que a música tomou forma. Nos passos seguintes, o áudio começará a ter mais brilho e presença, deixando a gravação mais atraente e confortável aos ouvidos.

2. Mixagem – equalização, compressão, ambientação e outros ajustes

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Pode-se dizer que a mixagem é a maquiagem da música. Nessa fase da edição, o produtor realizará os processos de tratamento do áudio, acrescentando equalizadores, compressores e outros efeitos que farão o áudio soar como se tivesse sido gravado em um studio analógico com uma grande sala e muitos equipamentos.

2.1. Equalização das tracks

É importante saber que o áudio é medido em frequências, sendo as mais conhecidas: agudos, médios e graves. Dependendo de como a gravação foi realizada (local, tipo de instrumento, microfone, etc), algumas dessas frequências podem se sobressair sobre as outras. O trabalho do equalizador na edição de áudio, é equilibrar as frequências para que elas soem de forma harmônica.

Assim, todos os elementos presentes na gravação serão ouvidos de forma clara e o som será confortável aos ouvidos. Existem inúmeros plugins de equalizadores disponíveis. Alguns simulam equalizadores analógicos famosos, outros são desenvolvidos e fornecidos juntamente com a DAW, como é o caso dos plugins da Cockos, fornecidos com o Reaper.

2.2. Compressão

Um recurso muito importante na edição de áudio é o compressor. Como o nome já diz, ele comprime a dinâmica do áudio, evitando que algumas partes fiquem com mais ganho que outras, deixando a faixa equilibrada e impedindo a clipagem do sinal.

Imagine um solo de guitarra com palhetadas mais agressivas em um trecho e mais suaves em outro. Na mixagem, essas palhetadas mais fortes podem soar muito mais alto que as mais suaves. Assim, se o produtor aumentar o volume para ouvir as partes mais baixas do solo, as mais altas cobrirão os demais instrumentos.

O compressor equilibra essa dinâmica, permitindo que todo o solo seja ouvido de maneira equilibrada, sem que seja necessário mexer no volume da track. Isso evita a perda de algumas sonoridades próprias da interpretação de quem toca ou canta.

2.3. Outros efeitos e ajustes – ajustes de volume, ambientação, delay, drive e muito mais

Após as fases de tratamento da mixagem, a edição de áudio possibilita ao produtor embelezar a gravação. Para isso, existem os efeitos de ambientação, como reverbs, delays, entre outros. Existem ainda efeitos de drives, distorções, pitch shifters e muitos outros recursos que podem ser aplicados para se obter características específicas no som final.

Os reverbs e delays são bastante usados para dar ao ouvinte a sensação de estar em uma sala grande, uma câmara, igreja, etc. Pode-se criar efeitos de eco que ajudam a unir as tracks, fazendo-as soar como uma só, sem que os instrumentos pareçam descolados uns dos outros.

Os demais efeitos, podem ser usados para obter características peculiares, como a voz de robô em determinados trechos de um refrão. Tudo fica a critério do produtor e da sua criatividade. Afinal, a edição de áudio também é uma arte. Por fim, é importante verificar os volumes das tracks para que tudo fique em total equilíbrio e nada se perca.

3. Masterização

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A masterização pode ser considerada a etapa final da edição de áudio. Após fazer ajuste e adicionar efeitos em todas as tracks, é hora de dar o tratamento necessário à Master Track. É por meio dela que tudo o que foi trabalhado vai ser renderizado para o arquivo de áudio que será reproduzido.

O processo de masterização pode ser realizado de forma semelhante ao de mixagem, colocando os plugins diretamente na master track da DAW. No entanto, existem outras maneiras de se realizar a masterização. Alguns programas funcionam como um rack de equipamentos que podem ser usados de forma independente da DAW, como feito em studios analógicos.

Um bom exemplo é o T-Racks, uma ferramenta completa na qual o produtor pode realizar a masterização adicionando os plugins e ajustando os parâmetros para que o áudio soe de acordo com o desejado.

Existem, também, programas de masterização automática que trazem opções baseadas em estilos musicais. Neles, o produtor abre o áudio e escolhe o estilo de música adequado. Em seguida, o software ajusta os parâmetros de equalização, compressão e ganho de acordo com o segmento escolhido.

4. Finalização – Tudo pronto para distribuir uma bela música

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Por fim, após todas as etapas da edição de áudio, falta apenas escolher o formato do arquivo de áudio final. Os programas, geralmente exportam tudo em WAV que é o formato original do áudio, sem compressão nem redução de dados. Arquivos como FLAC e AAC também preservam a maior parte das propriedades do áudio, sendo o MP3 o formato que mais comprime o arquivo para deixá-lo mais leve.

Depois de escolher o melhor formato e salvar o arquivo, o áudio está pronto para a reprodução. Então é só escolher a melhor forma de distribuir e mostrar ao mundo o resultado de todo o trabalho de produção e edição de áudio, realizado a partir de uma simples gravação.

Ainda sobre plugins – os gigantes do mercado de áudio e os criadores apaixonados

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Os plugins foram desenvolvidos para que o produtor tenha em seu computador as mais diversas opções de equipamentos de tratamento de áudio existentes. Muitos deles são criados a partir da gravação do áudio real do equipamento analógico, como é o caso do Amplitube, que simula amplificadores das marcas mais famosas do mundo.

Com o crescimento dos studios digitais pelo mundo, empresas se especializaram no desenvolvimento desses plugins, dando ao consumidor inúmeras opções de equipamentos que custariam muito dinheiro e ocupariam muito espaço. As mais populares dessas empresas são a IK Multimedia, a Waves e a Toontrack.

Em contrapartida, existem desenvolvedores apaixonados que, simplesmente, disponibilizam plugins gratuitamente para que os produtores possam realizar a edição de áudio sem ter que investir muito dinheiro na compra de plugins caros. Essa iniciativa é bastante altruísta e pode ajudar a muitos produtores que estão começando sua carreira a não desistir.

Uma empresa que merece ser citada nesse artigo é a Acustica Audio, que disponibiliza plugins gratuitos para download direto no site. Descontos generosos também são oferecidos em plugins pagos da empresa, durante campanhas de lançamentos de atualizações.

Então se você é um produtor iniciante ou tem um pequeno home studio, pode começar com plugins gratuitos. Assim, você desenvolverá as técnicas antes de investir dinheiro em plugins que podem nem ser necessários para as suas produções.

Considerações finais

Enfim, como expressa o título desse artigo, a edição de áudio é uma arte. E como qualquer forma de arte, é necessário treino e dedicação para alcançar a perfeição. Cada uma das etapas descritas deve ser incessantemente praticada. Assim o produtor desenvolverá a audição e a sensibilidade necessária para se aperfeiçoar no processo de edição de áudio.

É importante adquirir conhecimentos para dominar todas as etapas do processo. Pensando nisso, o Portal da Produção desenvolveu uma série de cursos que podem levar você a alcançar excelentes resultados muito mais rápido. São 18 cursos sobre os mais variados tema relativos a produção musical, edição de áudio, uso de plugins e muito mais.

Também é possível ter acesso a muitos conteúdos gratuitos no Portal da Produção, inclusive plugins. Não deixe de conferir esses conteúdos que podem ajudá-lo a sair da inércia da produção e levá-lo a alcançar seus objetivos como músico independente.

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